domingo, 20 de outubro de 2019

Tipos de bilinguismo – parte II



Tipos de bilinguismo – parte II

Lembrando da definição de Hamers e Blanc (2000), consideramos seis dimensões. Termos em português por Megale, 2005.
1. Competência relativa
2. Organização cognitiva
3. Idade de aquisição das línguas
4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no ambiente social da criança
5. Status da língua na sociedade

Nesta postagem falaremos sobre as dimensões 3 e 4.

3. Idade de aquisição

A idade de aquisição das línguas é um fator de grande importância dentro do fenômeno de bilinguismo. Enquanto a criança está adquirindo língua, ao mesmo tempo, várias áreas de desenvolvimento também estão em progresso. É necessário considerar a influência que uma área tem em relação a outra. O desenvolvimento linguístico ocorre em paralelo ao desenvolvimento cognitivo, neurológico, psicológico, social e cultural.
Em relação aos tipos de bilinguismo nesse item, fazemos direta relação com a idade na qual as línguas são adquiridas. Dessa forma, podemos falar em bilinguismo infantil[1], bilinguismo na adolescência e bilinguismo adulto (HAMERS; BLANC, 2000).  Para o bilinguismo na adolescência e na fase adulta da vida, quando L2 é adquirida, é o bilinguismo coordenado que acompanha sua organização cognitiva. E na maioria das vezes, o bilinguismo dominante prevalece quando falamos de competência relativa.
Vamos analisar separadamente o bilinguismo infantil, foco deste trabalho. Como citado anteriormente, quando se desenvolve o bilinguismo infantil, outras áreas também estão em desenvolvimento, sendo elas motoras, sociais, cognitivas ou psicoemocionais.  O desenvolvimento ocorre de forma holística e simultânea, mas não podemos deixar de ponderar que uma área influencia diretamente na outra. Para isso, podemos subdividir o bilinguismo na infância em bilinguismo simultâneo e bilinguismo consecutivo[ (HAMERS; BLANC, 2000).
Linguisticamente analisando, o bilinguismo simultâneo acontece quando o indivíduo tem contato e vivência com os dois idiomas desde o seu nascimento. E o bilinguismo consecutivo, ocorre quando a criança adquire LE/L2 depois de ter adquirido as principais características linguísticas de sua L1 (HAMERS; BLANC, 2000).

4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no ambiente social da criança

Esse item está diretamente ligado às pessoas que estão ao redor da criança nessa fase de desenvolvimento infantil. Mais precisamente ao foco linguístico dessas pessoas, que língua falam e como se comunicam. Portanto, relacionamos aqui o bilinguismo endógeno e o bilinguismo exógeno.
No bilinguismo endógeno, os dois idiomas são igualmente utilizados pela comunidade na qual o sujeito está inserido. Esse uso pode ser institucionalizado ou não. Já no bilinguismo exógeno, nenhum das línguas é usada institucionalmente, mas as duas são oficiais na comunidade (HAMERS; BLANC, 2005).
Hamers e Blanc (2000) apresentam um exemplo sobre bilinguismo exógeno através de uma criança de Cotonou que fala Fon em casa e tem o Francês como única língua de instrução na sociedade em que está inserida. Essa criança desenvolve o bilinguismo exógeno.



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