Tipos de bilinguismo – parte II
Lembrando da definição de Hamers e Blanc
(2000), consideramos seis dimensões. Termos em português por Megale, 2005.
4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no
ambiente social da criança
5. Status da língua na sociedade
Nesta postagem falaremos sobre as dimensões 3 e 4.
3. Idade de aquisição
A idade de aquisição das línguas é um fator de
grande importância dentro do fenômeno de bilinguismo. Enquanto a criança está
adquirindo língua, ao mesmo tempo, várias áreas de desenvolvimento também estão
em progresso. É necessário considerar a influência que uma área tem em relação
a outra. O desenvolvimento linguístico ocorre em paralelo ao desenvolvimento
cognitivo, neurológico, psicológico, social e cultural.
Em relação aos tipos de bilinguismo nesse item,
fazemos direta relação com a idade na qual as línguas são adquiridas. Dessa
forma, podemos falar em bilinguismo infantil[1],
bilinguismo na adolescência e bilinguismo adulto (HAMERS; BLANC,
2000). Para o bilinguismo na adolescência e na fase adulta da vida,
quando L2 é adquirida, é o bilinguismo coordenado que acompanha sua organização
cognitiva. E na maioria das vezes, o bilinguismo dominante prevalece quando
falamos de competência relativa.
Vamos analisar
separadamente o bilinguismo infantil, foco deste trabalho. Como citado
anteriormente, quando se desenvolve o bilinguismo infantil, outras áreas também
estão em desenvolvimento, sendo elas motoras, sociais, cognitivas ou
psicoemocionais. O desenvolvimento ocorre de forma holística e
simultânea, mas não podemos deixar de ponderar que uma área influencia
diretamente na outra. Para isso, podemos subdividir o bilinguismo na infância
em bilinguismo simultâneo e
bilinguismo consecutivo[ (HAMERS;
BLANC, 2000).
Linguisticamente
analisando, o bilinguismo simultâneo acontece quando o indivíduo tem contato e
vivência com os dois idiomas desde o seu nascimento. E o bilinguismo
consecutivo, ocorre quando a criança adquire LE/L2 depois de ter adquirido as
principais características linguísticas de sua L1 (HAMERS; BLANC, 2000).
4. Presença ou não de indivíduos falantes da L2 no
ambiente social da criança
Esse item está diretamente ligado às
pessoas que estão ao redor da criança nessa fase de desenvolvimento infantil.
Mais precisamente ao foco linguístico dessas pessoas, que língua falam e como
se comunicam. Portanto, relacionamos aqui o bilinguismo endógeno e o bilinguismo exógeno.
No bilinguismo endógeno, os dois idiomas
são igualmente utilizados pela comunidade na qual o sujeito está inserido. Esse
uso pode ser institucionalizado ou não. Já no bilinguismo exógeno, nenhum das
línguas é usada institucionalmente, mas as duas são oficiais na comunidade
(HAMERS; BLANC, 2005).
Hamers e Blanc (2000) apresentam um
exemplo sobre bilinguismo exógeno através de uma criança de Cotonou que fala
Fon em casa e tem o Francês como única língua de instrução na sociedade em que
está inserida. Essa criança desenvolve o bilinguismo exógeno.



